terça-feira, setembro 28, 2010

Retrato para eternidade...

A necessidade de auto-conhecimento, de exploração do corpo e da mente provém de um recanto da nossa memória. Todos procuramos fontes de equilíbrio em cada acção que realizamos, que posteriormente se transformam numa sensação geradora de sensações no estado das pessoas. Não seremos um reflexo de tudo que o que está à nossa volta e do modo que observamos e sentimos o mundo? Não estaremos todos ligados por uma corrente, que nos faz ser parte integral de todos os nossos antepassados?

Apesar das limitações que nos impõe a sociedade, sou (e somos) um espelho de toda a herança cultural que descobri na história da Humanidade. Sem mais palavras, sou (e somos) um movimento eterno, do tempo, da continuidade da vida para além de todo o resto… Partindo da premissa “ uma fotografia para a eternidade”, de Pina Baush, tentei desenvolver um trabalho que passou por duas fases de experimentação. A primeira passou pela tentativa expor em vídeo imagens que me constroem diariamente e a segunda foi a tentativa de expor o que fica para alguém da nossa imagem externa .

Todos os dias expomo-nos aos olhares curiosos de uma sociedade camuflada com uma camada densa que cobre a sua verdadeira essência. Vestidos com farrapos que nos tapam dos pés à cabeça que escondem o mais puro e natural da natureza Humana. O que fica para lá do que os nossos olhos vêem? O nosso lado mais íntimo e genuíno. O mundo sensível, o nosso Eu interior… Segundo António Damásio, em O Mistério da Consciência, "a consciência é o termo abrangente para designar os fenómenos mentais que permitem o estranho processo que faz do Homem o observador ou conhecedor das coisas observadas.” Que consciência temos nós deste facto? O retrato para a eternidade é aquele que vai além da frágil aparência, é aquele que vai além dos olhos… O retrato para a eternidade é o que é negado ou escondido pela segurança da pose. O retrato para a eternidade somos nós no nosso estado mais lato. Nus, sensíveis, Humanos…

video

sexta-feira, setembro 24, 2010


Meu doce mistério da vida...


"A mim ensinou-me tudo.Ensinou-me a olhar para as coisas.Aponta-me todas as coisas que há nas flores.Mostra-me como as pedras são engraçadas.Quando a gente as tem na mão...E olha devagar para elas...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.Ele é o humano que é natural.Ele é o divino que sorri e que brinca.E por isso é que eu sei com toda a certeza...

E a criança tão humana que é divina.É esta minha quotidiana vida de poeta. E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar. Me enche de sensação,E o mais pequeno som, seja do que for,Parece falar comigo.A Criança Nova que habita onde vivo. Dá-me uma mão a mim. E outra a tudo que existe. E assim vamos os três pelo caminho que houver,Saltando e cantando e rindo. E gozando o nosso segredo comum. Que é saber por toda a parte. Que não há mistério no mundo. E que tudo vale a pena.A Criança Eterna acompanha-me sempre.A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.O meu ouvido atento alegremente a todos os sons. São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.Damo-nos tão bem um com o outroNa companhia de tudoQue nunca pensamos um no outro,Mas vivemos juntos e dois. Com um acordo íntimo. Como a mão direita e a esquerda.Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas. No degrau da porta de casa,Graves como convém a um deus e a um poeta,E como se cada pedra. Fosse todo o universo. E fosse por isso um grande perigo para ela. Deixá-la cair no chão.Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homensE ele sorri porque tudo é incrível.Ri dos reis e dos que não são reis,E tem pena de ouvir falar das guerras,E dos comércios, e dos navios. Que ficam fumo no ar dos altos mares.Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade. Que uma flor tem ao florescer. E que anda com a luz do Sol. A variar os montes e os vales. E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.Depois ele adormece e eu deito-o.Levo-o ao colo para dentro de casa. E deito-o, despindo-o lentamente. E como seguindo um ritual muito limpoE todo materno até ele estar nu.Ele dorme dentro da minha alma. E às vezes acorda de noiteE brinca com os meus sonhos.Vira uns de pernas para o ar,Põe uns em cima dos outros. E bate palmas sozinho ...

Sorrindo para o meu sono..."



Vemo-nos no futuro, onde quer que ele seja...


quinta-feira, setembro 23, 2010

Equinócio de Outono



Mais uma vez os dias e noites são iguais...
Nasceu hoje em tons sépia pela manhã e adormece embalado numa noite de lua cheia...
...As folhas no chão cobrem de mansinho os dias de Outono. Suave silêncio. Sinto falta do teu abraço aqui. Da tua presença.
Equinócio.
Novo ciclo...

domingo, setembro 19, 2010

Fim-de-semana com cheiro a hortelã...












...A diversidade dos vários caminhos da vida é o ponto de partida mas é também o ponto de chegada, trazendo-nos a questão do retornar, reencontrar e renovar sempre...
É na magia dos vales encandos, da força dos elementos, dos ciclos da mãe Terra, dos espíritos da Natureza, das aventuras, das danças e dos sorrisos, dos cheiros e nos sabores, das povações e tradições que se encontra o mistério da vida...

segunda-feira, setembro 13, 2010

ruas de saudade


Porto, 14 de setembro de 2010
06:25

De mansinho rompe a alvorada…
Calcamos ruas e calçadas toda a noite, por entre risos e suspiros, por entre ruas vazias e cobertas de gente. Encontrei-te. Um momento já quase certo sempre que saio para vaguear por ai. Sempre que me perco por essas ruas fora, procurando sinais da presença tão viva (ainda) em mim.
Foi fácil conhecer-te... e foi tão mais fácil amar-te! O teu jeito relaxado e puro…
E cada vez que te vejo a tua alma reflecte os caminhos e as trilhas por quais já passamos...
Tu que brilhas tanto… e brilhas ainda mais quando fecho os olhos e te reencontro e sinto, tão perto e tão longe, tão ausente e tão presente… nesta cidade de pedras gastas e mil histórias,que um dia nos abraçou, e que hoje só desperta saudade…

quarta-feira, setembro 08, 2010

ACE Albergue Nocturno

A acção decorre no local onde vivem e convivem vagabundos, velhos e jovens sem abrigo. Partilham o seu dia-a-dia, numa vida cheia de miséria onde a palavra esperança se torna utópica. Presos a uma realidade dura e a um passado amargurado, estas pessoas vivem num ambiente onde o consumo de álcool e o jogo são o seu único passatempo. A chegada de Luca, pode ser vista como personificação de esperança. Fazendo-os olhar para dentro de si, questionarem-se e acreditarem que o ser Humano tem oportunidades para mudar de rumo. Mas o facto é que esta mudança não é permitida por eles próprios. Exactamente como acontece na situação actual em vivemos...

A mudança é precisa, o ser Humano é que a limita...

Albergue Nocturno deixou saudades...

sábado, setembro 04, 2010

Nature boy







There was a boy
A very strange, enchanted boy
They say he wondered very far
Very far, over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day,
One magic day he passed my way
While we spoke of many things
Fools and Kings
This he said to me…
The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return...