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quarta-feira, março 19, 2008

Ser Angolano

Ser angolano é meu fado, é meu castigo,branco eu sou, pois já não consigo mudar jamais de cor ou condição...Mas, será que tem cor ou coração?
Ser africano não é questão de cor é sentimento, vocação, talvez amor.Não é questão nem mesmo de bandeiras de língua, de costumes ou maneiras...
A questão é de dentro, é sentimento e nas parecenças de outras terras longe das disputas e das guerras,encontro na distância esquecimento!
Neves e Sousa
poeta e pintor Angolano

terça-feira, junho 19, 2007

Chora teu ventre...

Minha África...
teu olhar negro chora a fome
dos teus filhos...
chora o teu ventre por aqueles que perdes...
Minha África!
quero saudar-te, a ti,
meu povo negro
de imensa história,
quero saudar-te, a ti, meu povo,
de olhos tristes que nessas terras derrama lágrimas
de sabedoria, de cultura, de mistério...
Minha África,
quero saudar-te, a ti, por todo esse amor e glória!

segunda-feira, abril 16, 2007

um grito de liberdade

África, o continente que é marcado pela exploração, o sofrimento e escravidão…
Um continente onde a palavra liberdade ainda é uma utopia, onde a fome, a pobreza, a opressão politica e social e o abatimento em cada olhar estão presentes em cada excerto de terra e a esperança ainda é escassa, é preciso dar um grito, um grito de liberdade…

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Mãe Preta


Velha encarquilhada

carapinha branca

gandola de renda

caindo na anca

embalando o berço

do filho do sinhôque

há pouco tempo

a sinhá ganhou

era assim que mãe preta fazia

criava todo branco

com muita alegria

enquanto na senzalaseu

bem apanhava

mãe preta mais uma lágrima

enxugava mãe preta,

mãe preta,mãe preta,

mãe preta

enquanto a chibata

batia em seu amor

mãe preta embalavao filho branco do sinhô


  • Mãe preta
    (Piratini e Caco Velho)

terça-feira, novembro 28, 2006


Presença Africana

E apesar de todo,ainda sou a mesma!Livre esguia, filha eterna de quanta rebeldia me sagrou,Mãe-África!Mãe forte da floresta e do deserto,ainda sou, a Irmã-Mulher de tudo o que em ti vibra puro e incerto...
A dos coqueiros,de cabeleiras verdes e corpos arrojados sobre o azul...A do dendêm nascendo dos abraços das palmeiras...
A do sol bom, mordendo chão das Ingom botas...A das acácias rubras,salpicando de sangue as avenidas,longas e floridas...
Sim!, ainda sou a mesma.A do amor transbordando pelos carregadores do cais suados e confusos,pelos bairros imundos e dormentes pelos meninos de barriga inchada e olhos fundos...
Sem dores nem alegrias,de tronco nu e musculoso,a raça escreve a prumo,a força deste dia...
E eu revendo ainda, e sempre, nela,aquela longa história inconsequente...
Minha terra...Minha, eternamente ...
Terra das acácias, dos dongos,dos colios baloiçando, mansamente...Terra!Ainda sou a mesma.
Ainda sou a que num canto novo pura e livre me levanto,ao aceno do teu povo!

-ALDA LARA

segunda-feira, outubro 02, 2006

Mãe negra

"Pela estrada desce a noiteMãe-Negra, desce com ela ...
Nem buganvílias vermelhas,nem vestidinhos de folhos,nem brincadeiras de guisos,nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,em duas faces cansadas.Mãe-Negra tem voz de vento,voz de silêncio batendonas folhas do cajueiro ..
.Tem voz de noite, descendo,de mansinho, pela estrada ...
Que é feito desses meninosque gostava de embalar? ...
Que é feito desses meninosque ela ajudou a criar? ...
Quem ouve agora as histórias que costumava contar? ...
Mãe-Negra não sabe nada ...
Mas ai de quem sabe tudo,como eu sei tudo Mãe-Negra! ...
Os teus meninos cresceram,e esqueceram as histórias que costumavas contar ...
Muitos partiram p'ra longe,quem sabe se hão-de voltar! ...
Só tu ficaste esperando,mãos cruzadas no regaço,bem quieta bem calada. É a tua a voz deste vento,desta saudade descendo,de mansinho pela estrada."
(Alda Lara, 1951)