sábado, maio 07, 2011

Hoje escreveria exactamente o mesmo...

Porto, 10 de Julho de 2009
03:01
Continuo a escrever-te porque te reencontro, como se o silêncio da noite me permitisse sussurrar-te ao ouvido palavras que nunca te diria se te olhasse nos olhos. Escrevo-te porque te sinto longe, e se hoje estivesses ao meu lado, as palavras que tenho a dizer-te transformavam-se… simplesmente porque estarias aqui e nesse caso eu passava-te a mão pelo cabelo, puxava-te suavemente os caracóis e tu fechavas os olhos, suspiravas e eu sentia-te mais perto. Mas neste momento isso não possível, então escrevo para que consiga de alguma forma alcançar-te e tocar-te através da energia cósmica que um dia nos uniu...
Esta noite beijo-te a testa, aconchego-te e adormeço a teu lado…

quinta-feira, janeiro 13, 2011

...mergulhada numa paz tranquila e nova que me ensinaste sem saber...

segunda-feira, dezembro 20, 2010

sábado, dezembro 11, 2010

domingo, dezembro 05, 2010

As ruas de outono cobrem-se de saudade dos olhos de mel...

sexta-feira, novembro 19, 2010

...e são tantas as horas da tua ausência...

Esta noite, se pudesse, embrulhava-te nos meus braços e permanecia em silêncio só para te poder conhecer melhor, para poder te dar luz e proteger-te dos teus mais profundos medos...
Independentemente da intensidade com que vivemos o tempo, o tempo permite-nos tudo que o nosso coração pedir... e se o meu pede para te esperar, esperar-te-ei... e são tantas as horas... E só Deus sabe a dor da tua ausência…

... e são tantas as horas da minha ausência...



Olhava para as mãos... por vezes desvia o olhar... mas volta a olhar para as mãos... A pele enrugada e palmas macias como se de seda se tratasse. Mãos vividas, mãos que passaram pelas imperfeições da vida...Sentada na velha sala olha o silêncio, brinca distraidamente com as vestes, já gastas pelas horas...Passa os dias sentada entre a escura sala, e a varanda onde diz ver o mundo... olha a horta onde durante anos cultivou, trabalhando de sol a sol... hoje estão cobertos de ervas... as pernas já fracas ainda vão caminhando como as suas memórias... tão frágil, mas com um olhar firme e doce de quem já viu muita coisa... como a pele das suas mãos... Naquele veio-lhe um sorriso aos lábios quando ouviu a minha voz a entrar pela porta... depois de um abraço forte, sentei-me ao seu lado... enquanto as palavras lhe saiam com sabedoria; olhava-lhe para as mãos, sempre a ajeitar a saia, e a acariciar a minha mão... contou-me as histórias daqueles que a foram deixando, histórias de antigamente... senti que lhe fazia bem, rever a sua vida, o tempo dos seus pais... o tempo do meu avô...
Após uma tarde a sentir a sua energia, e a ouvir todo o seu saber, vim embora, e ela ficou lá, sentada, com uma mão a acariciar a outra...
- "até amanhã filha, vai com Deus..."
...
Hoje é tudo diferente... vive num eterno compasso de espera, mas sempre agarrada ao amor incondicional que tem pela vida. As palavras são-lhe raras e as pernas já não suportam a passagem do tempo. Hoje os dias tornaram-se iguais... Hoje quando me venho embora, já não oiço: " até amanhã filha,vai com Deus..." pelo contrário, fica sempre um olhar vazio a pedir para que fique mais um pouco... e são tantas as horas da minha ausência... e amanhã é uma incógnita...

segunda-feira, novembro 08, 2010

quarta-feira, outubro 06, 2010

segunda-feira, outubro 04, 2010

Lenda de Green Sleeves

O cabelo cresceu...
Um retrato subtil para quem vê e sente a passagem do tempo... o olhar mantém-se o mesmo, brilhante, atento a tudo que o circunda, atento a cada pequeno passo... gestos de menino, puro, à descoberta de tudo que o faz crescer e evoluir...
...
Nesta noite de Outono em que as palavras simbolizam a queda das folhas, segreda-se ao ouvido de quem suspira a lenda de Green sleeves, melodia composta pelo rei inglês Henrique VIII quando sentiu a rejeição da mulher que amava...


terça-feira, setembro 28, 2010

Retrato para eternidade...

A necessidade de auto-conhecimento, de exploração do corpo e da mente provém de um recanto da nossa memória. Todos procuramos fontes de equilíbrio em cada acção que realizamos, que posteriormente se transformam numa sensação geradora de sensações no estado das pessoas. Não seremos um reflexo de tudo que o que está à nossa volta e do modo que observamos e sentimos o mundo? Não estaremos todos ligados por uma corrente, que nos faz ser parte integral de todos os nossos antepassados?

Apesar das limitações que nos impõe a sociedade, sou (e somos) um espelho de toda a herança cultural que descobri na história da Humanidade. Sem mais palavras, sou (e somos) um movimento eterno, do tempo, da continuidade da vida para além de todo o resto… Partindo da premissa “ uma fotografia para a eternidade”, de Pina Baush, tentei desenvolver um trabalho que passou por duas fases de experimentação. A primeira passou pela tentativa expor em vídeo imagens que me constroem diariamente e a segunda foi a tentativa de expor o que fica para alguém da nossa imagem externa .

Todos os dias expomo-nos aos olhares curiosos de uma sociedade camuflada com uma camada densa que cobre a sua verdadeira essência. Vestidos com farrapos que nos tapam dos pés à cabeça que escondem o mais puro e natural da natureza Humana. O que fica para lá do que os nossos olhos vêem? O nosso lado mais íntimo e genuíno. O mundo sensível, o nosso Eu interior… Segundo António Damásio, em O Mistério da Consciência, "a consciência é o termo abrangente para designar os fenómenos mentais que permitem o estranho processo que faz do Homem o observador ou conhecedor das coisas observadas.” Que consciência temos nós deste facto? O retrato para a eternidade é aquele que vai além da frágil aparência, é aquele que vai além dos olhos… O retrato para a eternidade é o que é negado ou escondido pela segurança da pose. O retrato para a eternidade somos nós no nosso estado mais lato. Nus, sensíveis, Humanos…

sexta-feira, setembro 24, 2010


Meu doce mistério da vida...


"A mim ensinou-me tudo.Ensinou-me a olhar para as coisas.Aponta-me todas as coisas que há nas flores.Mostra-me como as pedras são engraçadas.Quando a gente as tem na mão...E olha devagar para elas...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.Ele é o humano que é natural.Ele é o divino que sorri e que brinca.E por isso é que eu sei com toda a certeza...

E a criança tão humana que é divina.É esta minha quotidiana vida de poeta. E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar. Me enche de sensação,E o mais pequeno som, seja do que for,Parece falar comigo.A Criança Nova que habita onde vivo. Dá-me uma mão a mim. E outra a tudo que existe. E assim vamos os três pelo caminho que houver,Saltando e cantando e rindo. E gozando o nosso segredo comum. Que é saber por toda a parte. Que não há mistério no mundo. E que tudo vale a pena.A Criança Eterna acompanha-me sempre.A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.O meu ouvido atento alegremente a todos os sons. São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.Damo-nos tão bem um com o outroNa companhia de tudoQue nunca pensamos um no outro,Mas vivemos juntos e dois. Com um acordo íntimo. Como a mão direita e a esquerda.Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas. No degrau da porta de casa,Graves como convém a um deus e a um poeta,E como se cada pedra. Fosse todo o universo. E fosse por isso um grande perigo para ela. Deixá-la cair no chão.Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homensE ele sorri porque tudo é incrível.Ri dos reis e dos que não são reis,E tem pena de ouvir falar das guerras,E dos comércios, e dos navios. Que ficam fumo no ar dos altos mares.Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade. Que uma flor tem ao florescer. E que anda com a luz do Sol. A variar os montes e os vales. E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.Depois ele adormece e eu deito-o.Levo-o ao colo para dentro de casa. E deito-o, despindo-o lentamente. E como seguindo um ritual muito limpoE todo materno até ele estar nu.Ele dorme dentro da minha alma. E às vezes acorda de noiteE brinca com os meus sonhos.Vira uns de pernas para o ar,Põe uns em cima dos outros. E bate palmas sozinho ...

Sorrindo para o meu sono..."



Vemo-nos no futuro, onde quer que ele seja...


quinta-feira, setembro 23, 2010

Equinócio de Outono



Mais uma vez os dias e noites são iguais...
Nasceu hoje em tons sépia pela manhã e adormece embalado numa noite de lua cheia...
...As folhas no chão cobrem de mansinho os dias de Outono. Suave silêncio. Sinto falta do teu abraço aqui. Da tua presença.
Equinócio.
Novo ciclo...

domingo, setembro 19, 2010

Fim-de-semana com cheiro a hortelã...












...A diversidade dos vários caminhos da vida é o ponto de partida mas é também o ponto de chegada, trazendo-nos a questão do retornar, reencontrar e renovar sempre...
É na magia dos vales encandos, da força dos elementos, dos ciclos da mãe Terra, dos espíritos da Natureza, das aventuras, das danças e dos sorrisos, dos cheiros e nos sabores, das povações e tradições que se encontra o mistério da vida...

segunda-feira, setembro 13, 2010

ruas de saudade


Porto, 14 de setembro de 2010
06:25

De mansinho rompe a alvorada…
Calcamos ruas e calçadas toda a noite, por entre risos e suspiros, por entre ruas vazias e cobertas de gente. Encontrei-te. Um momento já quase certo sempre que saio para vaguear por ai. Sempre que me perco por essas ruas fora, procurando sinais da presença tão viva (ainda) em mim.
Foi fácil conhecer-te... e foi tão mais fácil amar-te! O teu jeito relaxado e puro…
E cada vez que te vejo a tua alma reflecte os caminhos e as trilhas por quais já passamos...
Tu que brilhas tanto… e brilhas ainda mais quando fecho os olhos e te reencontro e sinto, tão perto e tão longe, tão ausente e tão presente… nesta cidade de pedras gastas e mil histórias,que um dia nos abraçou, e que hoje só desperta saudade…

quarta-feira, setembro 08, 2010

ACE Albergue Nocturno

A acção decorre no local onde vivem e convivem vagabundos, velhos e jovens sem abrigo. Partilham o seu dia-a-dia, numa vida cheia de miséria onde a palavra esperança se torna utópica. Presos a uma realidade dura e a um passado amargurado, estas pessoas vivem num ambiente onde o consumo de álcool e o jogo são o seu único passatempo. A chegada de Luca, pode ser vista como personificação de esperança. Fazendo-os olhar para dentro de si, questionarem-se e acreditarem que o ser Humano tem oportunidades para mudar de rumo. Mas o facto é que esta mudança não é permitida por eles próprios. Exactamente como acontece na situação actual em vivemos...

A mudança é precisa, o ser Humano é que a limita...

Albergue Nocturno deixou saudades...

sábado, setembro 04, 2010

Nature boy







There was a boy
A very strange, enchanted boy
They say he wondered very far
Very far, over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day,
One magic day he passed my way
While we spoke of many things
Fools and Kings
This he said to me…
The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Ne me quitte pas...

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Ne me quitte pas...

terça-feira, agosto 24, 2010

Memórias de actores...

-Silêncios
Onde ninguém nunca, nunca chegará. Onde o meu nome me mata. Onde não há ninguém. Onde esta grande imensidão de jardins que observo não chega a voz.
Ainda espero pelo rasgo de sol que romperá este silêncio.
Dá-me luz!
Sinto todos os ossos do meu corpo a estalarem. Ecos na minha consciência. Lamparinas a iluminar o velho túnel do esquecimento. As rochas que escrevo, e os morcegos que penso.
Um sentimento que sempre reluz aqui. Sentado. A pensar se devo pensar neste meu pensamento complexo, que de um modo ou de outro me desfaz a cabeça em pedaços.
Adoro estar vivo.
-Agradeço todos os dias por estar aqui. E sorrio a cada minuto que passa. Mas à minha maneira. Uma maneira que nem sempre compreendo. Mas sim, sorrio. E sorrio a cada suspiro teu neste momentos em que o silêncio invade a sala e nos faz flutuar nas almas uns dos outros. Questionando-nos sempre no que um e outro está a pensar. Aqui, juntos, unidos pelos ecos da consciência.
E amanhã seremos os mesmos?
Amanhã estaremos juntos perdidos em pensamentos complexos que nos preenchem a alma?
-Lamurias do tempo
Volto a este recanto cheio de memórias. A insegurança de dar um passo mais em direcção ao abismo. Saudade de vozes que nem sempre entendemos. Como um sussurrar meigo junto a minha orelha.
Junto a esta orla de espectros sentimentais, tento repousar. Mas não é fácil com o aumento exponencial de raios de luz na sala.
Tantos risos.
-Tertúlia
Precipitando-se ao encontro do vazio, Isacar morre. Não há tempo para tentar ser menos benevolente. Perdi a noção do espaço.
Muito me agasta que tenhamos todos que sofrer. Muito me dói não vos poder dizer isto. Saber que tenho palavras que não posso pronunciar, a cintilar nos meus olhos. Um pequeno pedaço de neve. Para ti tão nova e surpreendente. Para mim um momento e recordação, mas banal. Como posso entender, e ser entendido, por alguém que não fala a minha língua, alguém que não sabe como sou, alguém que não entende o que faço, e o que faz não entendo.
Não tenho que dizer isto. Mas é uma boa maneira de tentar explicar a quem tomar conhecimento disto.
Não há tempo a perder, mas adoro perder tempo. Ver como ele passa. Como ele faz com que as folhas beijem o chão.
Vejo todos os dias um objectivo comum mas diferente.
Uma dorzinha que corrói e faz vacilar o corpo.
Como uma música mal cantada.
O acorde perfeito num filme romântico.
Aquele olhar que seduz a mente.
A palavra que gostamos mas nem sempre entendemos.
A tua mão.
Sorris.
Obrigada por estares ai.
A minha frente.
-Eu estou aqui? - Perguntava ela constantemente, esperando uma resposta que já era certa… é claro que estava, no jogo estávamos todos, àquela hora, espalhados pelo chão… embalados numa melodia quase certa, ou tão certa quanto os suspiros internos de cada um… e mais uma vez a noite cobre-nos com o seu manto. Fazendo-nos perder no tempo. Recordando histórias, penetrando suavemente nos sentimentos de cada um… observando como o tempo passa… e como passa por aqui, nestes ecos silenciosos dos nossos remoinhos individuais. Apesar dos risos, e do fumo que enche a sala, a verdadeira essência dos nossos momentos aqui está muito para lá da aparência dos nossos corpos, já cansados deste dia…
-Acordas de vez, e o que vês não passa do teu sonho.
Pensei que gostava de estar em casa, mas as minhas asas não voam esse caminho.
Vou embora e deixo aqui uma marca. Não quero ter a sensação de que o dia me passou ao lado.
Vejo-me como uma lesma pegajosa que deixa um rasto de ranho no caminho.
Procura o caminho lamacento e encontrar-me-ás.
Nunca ninguém disse que era fácil.
Não interessa. Chega de jogos estúpidos que jogamos para ver quem perde melhor. Não há tempo. Outra vez.
-Não são jogos. Somos meramente Humanos. Percorremos trilhas. Cansámos-nos e procuramos um lugar para repousar. Deitamos o corpo e quase inconscientemente começamos a procurar na nossa cabeça qualquer, a mínima coisa que possa ter marcado o nosso dia. Coisas tão vulgares mas que nos marcam tanto na vida…
-Já te viste aí, no meio do palco? Sabes, calças de ganga, camisola da equipa. Papeis na mão, também...“Texto!” “Texto? Não há…mas não interessa...

Rodrigo Leão
"Histórias"
"Carpe Diem"...
Saudades...